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A fé e a tradição familiar

da Festa do Divino de Guararema

Muitas pessoas aguardam ansiosamente pela Festa do Divino Espírito Santo, realizada em Guararema. Um dos pontos festivos mais esperados é o tradicional Desfile de Carros de Boi e Cavaleiros que vem seguido pelo afogado. A comunidade em geral participa e os turistas também frequentam o evento. Porém, pouca gente sabe que existe uma história bem antiga e de forte tradição por trás desse dia. O afogado é organizado pela família do Sr. Zé Maria (in memorian) que foi passando a fé, a tradição e a religiosidade de geração em geração. Uma das filhas dele, Márcia Rodrigues dos Santos Nunes e seu esposo, Silvio Nunes estão envolvidos na organização e contam que não sabem ao certo a data do início da festa, mas que acreditam que ela aconteça há aproximadamente uns 60 anos e Márcia explica: “Atos espontâneos de fé, simplesmente acontecem…”.

Márcia diz que a Festa do Divino Espírito Santo é uma festa de alegria, onde o povo se junta para demonstrar sua fé, introduzindo suas próprias manifestações através de: música, comidas, caridades e danças, fazendo com que o dia de Pentecostes seja comemorado com muita bênção, união e fartura. “Daí o famoso afogado, que nessa cidade teve início com meu pai o saudoso Zé Maria. Homem simples, generoso que conseguiu reunir os amigos para poder ajudar a igreja. Ali, naquela mesma casinha, à beira do rio ele sempre recebeu a todos que chegavam, da mesma forma, sendo eles pessoas com títulos ou sem títulos, assim como ele, e os convidava a sentar-se à mesa e servirem-se”, conta Márcia, “Naquela praça, seus amigos devotos iam chegando para a procissão de carros de bois e cavalos em agradecimento ao Divino Espírito Santo, pela colheita do ano. Naquela época o desfile acontecia após o almoço, às 15 horas, mas os devotos chegavam pela manhã, para aguardar o desfile, ou seja, antes do almoço. Daí o início do famoso afogado!

Assim, em um ato espontâneo de fé e bondade, resolveu alimentar a todos que esperavam, reunidos para comemorar o dia do Divino Espírito Santo. No início era minha mãe, Dona Lola, quem preparava o afogado. Enquanto teve condições financeiras, meu pai fazia o afogado com seus próprios recursos. Após ficar doente, em 1989, passou a contar com a ajuda de seus filhos, amigos e devotos. O Compadre Zé Maria, como era conhecido, faleceu no ano de 1991 e, desde então, estamos na organização da festa, contando sempre com a ajuda de amigos, devotos e poucas empresas, para que essa promessa, nunca acabe e para que a fé no Divino Espírito Santo continue acesa em todos os corações.

Acreditamos que esse afogado é abençoado, pois é feito através da união de pessoas, seja na doação dos pertences ou na sua elaboração, unindo crianças, jovens, adultos e idosos, ricos e pobres, num só lugar, para no dia de Pentecostes agradecer, pedir e partilhar, fazendo com que o milagre da multiplicação continue acontecendo nos dias de hoje.

Nossa família junto com corações caridosos trabalha para que essa tradição movida pela fé, continue evangelizando e levando a bandeira do Divino no cortejo de cavaleiros para abençoar a cidade e seu povo e, para que o grande banquete, o afogado, alimente a todos com paz, amor, saúde, fartura, união e alegria o ano todo”.

Diante da tradição, todos já esperam o desfile e o afogado. A família tem acompanhado o evento por todos esses anos e pretende continuar, pois Márcia reforça que a “fé é a única coisa que nos mantém forte, que nos faz continuar a sonhar e que não podem nos tirar, pois está cravado em nosso coração. Fé é esperança. A participação e a fé da população é muito grande e tem aumentado cada vez mais. Ouvimos muitos relatos de  acontecimentos movidos pela fé, é muita emoção!”, diz Márcia que reforça que o público que frequenta o evento sempre participou e que os que morreram deixaram seus filhos carregando a bandeira. “As pessoas que são devotas do Espírito Santo receberam essa fé de seus pais e tem a mesma gratidão deles, participam com afinco e com fé, enaltecendo, apenas o Divino Espírito Santo. Ninguém trabalharia com amor, se doando fisicamente, materialmente, espiritualmente, se não fosse pela fé. Nossa cidade respira fé e oração”.

E quando a missão é cumprida o que vem é: “Sentimento de paz, de amor, de alegria de saber que o Espírito Santo se faz morada em muitos corações. Se os corações foram tocados é porque houve evangelização e, se houve evangelização, acreditamos que esse amor e essa fé serão regados por outras gerações para alcançarmos um mundo mais justo com mais união e paz, através de orações. Trabalhar para Deus, não é fácil, sempre teremos pedras no caminho, mas, Ele através da nossa fé, nos capacita, unindo mãos que trabalham, mãos que doam e mãos que oram. O Espírito Santo  é Poderoso!”

Por Valéria Campanholle Parra – Jornalista – MTB 32.678 (Editora D Guararema)

Fotos de Fernando Mayfair – (11) 96490-1768

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