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História de Assombração

Crônicas do Itapema, por Jorge Souza

A mata no barrocão verdeja no fim da tarde quente. É uma mata assombrada – dizem. Mas Zé Pedro é homem corajoso! Hoje, ele e mais dois companheiros vão a todo custo caçar naquela mata.

Seu pai, desde criança, contava a história da moça que se embrenhou naquela mata: na véspera do casamento, boi matado já para a festa, vestido de noiva já com os últimos ajustes, ela recebeu a notícia que seu noivo morrera afogado no Rio Paraíba.

Desesperada, com o vestido de noiva no corpo correu para a Margem do Rio e em desespero desatou a chorar. Quisera se jogar na água, mas os vizinhos a impediram. Então ela desatou numa corrida e sumiu na mata.

A vizinhança passou dias e noites à procura da moça, mas as buscas foram em vão. Simplesmente a noiva sumiu. Hoje, quando um caçador se embrenha na mata para uma caçada ou até mesmo para colher lenha, às vezes ouvem risos. Há muitos relatos sobre isto.

Mas hoje não. Zé Pedro é homem que não tem medo de nada, ou melhor, quase nada. O único medo que ele tem é de outro homem: pois se o bicho homem tem o poder de apagar até mesmo o sorriso de uma criança, quanto mais a felicidade de um homem adulto.

Ele e seus dois companheiros, carregando as espingardas e levando no alforje muita munição, entraram na mata, que depois do caso da moça, se tornou virgem, quase ninguém ia lá.

Na pequena picada, Zé Pedro na frente e os companheiros atrás, estes dois, com olhar assustados, olhando para todos os lados.

Um ventinho balançou o pé de coqueiro, da grotinha logo abaixo da picada uma risada começou a ecoar. Zé Pedro parou de andar e ficou a ouvir: era risada que parecia ser de mulher.

– Zé vamo embora. É assombração da noiva.

– Carma gente. Vamo vê o que é.

– Nóis vai vê é nada . Tamo picando a mula.

Os dois companheiros deixaram o Zé sozinho.

Zé empunhou a espingarda e foi localizar a origem da risada. Desceu com cuidado o barranquinho. Na sua frente havia uma árvore com tronco enorme: era um pé de chimbeva.

O riso vinha de trás daquele tronco. Cautelosamente foi chegando de mansinho, aproximando do tronco. Qual não foi a sua surpresa ao ver a sua velha cachorra e um tatu deitado com a barriga para cima.

A cadelinha era desdentada, não tinha um dente se quer. Coitada com o tatu, virado com a barriga para cima, tentava a todo custo morder sua barriga. Na realidade, ao fazer isto, ela estava fazendo é cócega no tatu, que estava a dar soltas gargalhadas.

– Assombração, que nada! É apenas um tatu galinha a rir de cócegas.

Por Jorge Souza – Crônicas do Itapema – jorge.p.souza@hotmail.com

Foto do Pau D’Alho – Beatriz Scherma

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