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O Cavalo Gaúcho e a Passarinhada

Crônicas do Itapema, por Jorge Souza

No verão passado, naquele pé de painera, entre duas forquilhas, próximo à prainha amarela, um casal de joão-de-barro construiu uma bela casa.

Todo dia, o macho postado sobre a casa  e a fêmea, na porta da entrada, saudavam a manhã que vinha nascendo. Era uma cantoria barulhenta, festiva… Era o agradecimento por mais um dia de vida .

Súbito, levantavam voo e pousavam na terra, onde o Dermino estava  a arar. A comida era farta, minhoca de quantidade infinita: minhoca mansa, minhoca brava, minhoca oçu… Era uma fartura e tanta!

Muitas vezes, o casal empolgado  com a comilança, quase era esmagado pelas patas do cavalo Gaúcho, a puxar o arado que,  passando na terra, revolvia torrões e lindas minhocas iam surgindo.

Muitas aves vinham  ajuntar-se ao banquete: tico- tico, pica-pau Xanxan, anu-preto, anu-branco (anu-branco rondando perto de gente é sinal de morte  certa na família – dizia a crendice), rolinha, chupim, pardal, sabiá do campo.

De repente, lá no alto, aparecia o gavião de rabo branco. O líder do bando do anu anunciava com um grito estridente à passarinhada,  que afoita , em bando, voava para o bambuzal. Era tico-tico trombando com anu-branco, era  anu-preto  misturando com chupim!

E lá, altivo na ponta do galho mais alto do pé de marmelo, corajoso, o anu líder a coordenar a fuga.

Agora protegidos no bambuzal, encolhidos na touceira, toda a passarinhada era única. Não havia anu, tico-tico ou pica-pau… Havia apenas a ideia de se unir e sobreviver ao ataque.

Passado o susto, o anu  líder anuncia  com um pio estridente. O gavião, desta vez, não teve chance. As aves, aos poucos, retornavam  ao banquete.

Com as rédeas na mão, a comandar o  cavalo Gaúcho, o Dermino vê toda aquela movimentação e pensa consigo :

“Nós vivemo como passarinho. Em nossa vivência  há  apenas dois tipo de passarinho:  Passarinho Gente-Rico e Passarinho  Gente-Pobre. O Passarinho Gente- Rico é protegido, o gavião não consegue apanhá, mas, o  Passarinho Gente-Pobre vive ao Deus dará, é  a comida predileta  dos muitos Gaviões que habitam este  mundo dos homens

Com esse pensamento, conversa com o seu cavalo:

– Oh! Gaúcho, vamo logo! Que amanhã já quero tá plantando um capão de  pimentão junto com o Nor.

E o cavalo, obediente, segue puxando o arado, cortando a terra…

Por Jorge Souza – Do livro Crônicas do Itapema, O Plantador de Poesias (Editora DGuararema) – jorge.p.souza@hotmail.com

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