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O Natal das Tubaínas

Crônicas do Itapema, por Jorge Souza

Este Natal aconteceu naqueles tempos em que a luz ainda não vinha pelos fios. Ao cair da noite, coloquei o velho sapato na janela e fui dormir. Foi nesta noite que aprendi: a esperança não é somente a última que morre, como também, a última que dorme.

O dia amanheceu, corri até a janela e vi os meus sapatos vazios de presente, porém encharcados pela chuva. Segundo a minha mãe, na madrugada havia chovido trovoada, muitos relâmpagos brilharam no céu.

“Não fique triste, meu filho… Papai Noel também tem medo de corisco… Foi por isto que ele não veio aqui… Mas mesmo assim ele trouxe o seu presente!”

“Como assim, mamãe? Não encontrei nada junto aos meus sapatos!”

Ela nada respondeu. Pegou-me pela mão levando-me em direção ao córrego, que no dia anterior, em seu leito havia apenas um filetinho de água que agora estava  transbordar.

Amarrado ao pé de pitanga, às margens do pequeno riozinho, havia uma corda e, preso a esta corda, imerso nas águas agora rebuliças, havia um saco de estopa repleto de garrafas de tubaína!

Com muito cuidado, puxando a corda,  ela trouxe o saco até as margens. Tirou  uma garrafa pedindo-me para segurá-la. Após devolver o saco de estopa, com as garrafas às águas, caminhamos em direção ao barracão de pêssego. Minha mãe apanhou um prego e um martelo, fez um furinho na tampa, devolvendo-me em seguida,  a  garrafa  âmbar de rótulo dourado com um galhinho vermelho ao centro.

“Experimenta. Vê se está gelado.”

“Mãe, está geladinho! Tá uma delícia! Este presente vale mais que se fosse do Papai Noel.”

“Filho, é a ele mesmo que você deve agradecer. A tubaína foi o seu pai  quem comprou, mas esta improvisada geladeira… Foi coisa do Papai Noel.”

 

Por Jorge Souza – Crônicas do Itapema – jorge.p.souza@hotmail.com

 

Postada em 16 de dezembro de 2016

 

 

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