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Os analfabetos de nuvens

Crônicas do Itapema, por Jorge Souza

No sol quente daquela manhã, meu pai junto com minha mãe, sentados na varanda, conversavam. Ao fundo, vindo da cozinha, o chic, chic! chic, chic! da panela de pressão a cozinhar o feijão.

No pequeno jardim, eu estava alfabetizando o meu filho: ensinava-o a ler os segredos das nuvens brancas no céu.

– Observe bem, filho, consegue ver o elefante se formando?
– Pai, já tô conseguindo ver a tromba! Agora sim! Vejo também o corpo e também o rabo dele… Que legal, pai!

Lentamente o elefante vai se desfazendo. No emaranhado das linhas contidas nas páginas do céu, as nuvens vão se agrupando e formando novas letras.

O meu filho olha atento, procurando mais desenhos no céu. Enquanto nada encontra, ele me faz uma pergunta:

– Pai, por quê o céu é azul?
– O céu são os olhos de Deus. Este azul infinito é a cor de seus olhos.
– Pai, o que é camada de ozônio?
– Filho, hoje você tá muito perguntador!
– É para isso que tenho pai…

– Como já disse, o azul é a cor dos olhos de Deus. A camada de ozônio é como se fosse os óculos de sol que Deus utiliza para nos proteger de seus raios.
– Pai, veja ali, um pouco para sua esquerda. Olha o mapa da América do Sul com os seus países!
– Puxa, Guilherme! Você está aprendendo rápido! Não é fácil decifrar isto neste montão de nuvens…

– Pai, o legal é que neste mapa não há divisas. Eu não gosto de mapas divididos por rabiscos: dentro destas linhas está a Argentina, ali o Chile, lá o Brasil. Eu acho tão estranho isto! Prá mim o mundo não deveria ser dividido.

– Eu também, filho. Mas os homens são assim: eles são mais felizes dividindo do que somando…
Da varanda o meu pai grita:
– Isto aí, filho! Ensina o meu neto a ler bem os segredos das nuvens. A educação é o único investimento capaz de manter o céu eternamente azul.

Por Jorge Souza – Crônicas do Itapema – jorge.p.souza@hotmail.com

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