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Um Conto de Natal

Por Valéria Campanholle Parra

Aquele Natal teve algo de muito diferente. Recordo-me dele até hoje. Estávamos no ano de 1978. Meu pai tinha uma casa à beira do rio de uma cidade muito tranquila. Chamava-se Guararema. Passávamos todos os momentos especiais naquela casa. No Natal e no Ano Novo reuniam-se a família de meu padrinho e a minha família.

Naquele ano, mamãe resolveu comprar uma árvore de Natal, novinha. Ainda em São Paulo, no meio da correria, ela me chamou para acompanhá-la em tal aventura. Fomos para a Avenida Celso Garcia, no Belenzinho, tentar pegar um taxi para chegarmos ao nosso destino. Vários carros passavam, mas não havia um taxi. Mamãe começava a ficar preocupada. Olhei para trás e vi, naquela porta que passou fechada o ano inteiro, uma lojinha provisória que vendia árvores e enfeites para o Natal. Não precisávamos mais de um taxi. O alvo da nossa compra estava ali: verdinha com florzinhas vermelhas, mexendo com o vento.

Minha mãe pediu para que eu escolhesse e eu não precisei pensar. Já a tinha escolhido desde que localizei a loja. Fizemos a compra e papai já trazia guardadas na mala dezenas de mini lâmpadas coloridas que enfeitariam a árvore. Era hora de ir para Guararema.

Montamos a árvore juntas e papai colocou as lâmpadas. Fora da casa, tinhamos uma árvore de Natal mais ecológica. Era a nossa goiabeira que parecia ter nascido estrategicamente para virar uma árvore especial, todo ano. Meu pai e meu padrinho distribuíam bolas de vidro e lâmpadas para enfeitar a goiabeira que ficava acesa o ano inteiro.

Enfim, chegou a grande noite. O Natal! O Papai Noel! Em meio àquela porção de adultos, eu corria de um lado para o outro, fugindo do sono, pois naquela noite eu iria ver o bom velhinho e pegar o presente das mãos dele. Até que encontrei outra criança que me perguntou secamente, com ar de desdém: “Você AINDA acredita em Papai Noel?”. E fez uma triste observação: “Papai Noel não existe”.

Oras, pensei, como não existe? Mas, e os presentes que ganhei? E as histórias que escutei? Decepcionada com a revelação, dormi. Acordei no meio da madrugada, para ir ao banheiro. Os presentes estavam ao lado da minha cama, como sempre. Não liguei. Estava preocupada com o Papai Noel. Fui até a janela que dava para fora da casa. A goiabeira estava lá, mais linda do que nunca… O rio passava sereno, iluminado pelo reflexo da Lua… Olhei bem. Não é que lá longe, no céu, passando em frente à Lua, estava o Papai Noel com o seu trenó? Então, ele existe, sim…

No outro dia, expliquei para a minha mãe o que havia acontecido. Ela me disse que o Papai Noel existe, sim. Basta acreditar nele. Assim como devemos acreditar na solidariedade, na alegria, no amor ao próximo, na paz… Tudo isso existe dentro de nós.

Passaram-se muitos anos… A casa do meu pai não é mais nossa, mas, a goiabeira continua lá. Meu pai, minha mãe e meu padrinho não estão mais ao meu lado, mas o que eles me ensinaram, continua comigo, dentro do lugar mais precioso do meu coração.

A árvore que comprei junto com a minha mãe foi montada até ela falecer. Nos últimos anos por mim, por ela e por meus filhos. Apesar de muitas coisas terem mudado, ainda esperamos o Papai Noel. Todos juntos. E, ai, de quem dizer que ele não existe!

Dedicado à minha querida madrinha Lery Paranhos Leite que também fez parte dessas e outras muitas aventuras, outros muitos ensinamentos…

Por Valéria Campanholle Parra – Jornalista – Editora D Guararema – MTB 32.678

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